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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Recall

Yeah, it's official: todos os comissários da Alaska Airlines são chamados de volta ao trabalho a partir do mês de junho!

Tive certeza disso agora quando, no mural de perguntas dos comissários, a pessoa de senioridade 2791* fez uma pergunta sobre a carta que tinha acabado de receber em casa. A carta era o recall para o mês de junho.

Em maio voltarão ao trabalho a minha classe e a anterior, e em junho, todas as demais classes, que pelas minhas contas são 5 turmas.

Minha escala sairá na próxima semana e daí decido onde ficar em Anchorage. Já sei de alguns na minha turma que vão dividir quarto de hotel entre 5 pessoas.

*A Alaska Airlines tem 2791 comissários.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Voltando ao Trabalho, Em Breve

Ontem era para ser meu primeiro dia de trabalho depois da minha licença não-remunerada de 3 meses (voluntary furlough). Como toda a minha turma continua involuntariamente na geladeira (involuntary furlough) eu também sou convertida para essa licença involuntária.

Eu até achei que maio também continuaria nisso mas ontem veio o comunicado oficial que nossa classe é chamada de volta ao batente para o dia 1 de maio. Só não postei ontem para não acharem que é mentira.
Pequeno detalhe: metade da nossa turma terá como base ANC (Anchorage, no estado do Alasca). E como senioridade é tudo em aviação, os mais novos da turma acabam levando a pior. Por incrível que pareça, eu ainda sou 'nova' na nossa turma.

Com a base em Anchorage, todos os meus vôos começam e terminam lá. Não é necessário mudar para lá, mas você tem que estar lá quando é o seu horário de trabalho.

As boas notícias dessa má notícia são:
1) em junho mais comissários serão chamados de volta das licenças involuntárias, e assim, podemos solicitar transferência para Seattle, a partir de junho.
2) é primavera! Já pensou passar o mês de inverno por lá?
3) tenho 7 dias de férias em maio
4) tenho 13 de folga para solicitar em maio
Fazendo as contas, só terei 11 dias de trabalho em maio e já tenho certeza que a maioria desses dias serão finais de semana mas vou fazer de tudo para tentar rearranjar, trocar com outros comissários.

Bem que todos os meses poderiam ser assim né? Trabalhar somente 11 dias durante o mês...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sem Ânimo Para Continuar Este Blog. Lá Vai...

- Fairbanks, Fairbanks. Tantos pernoites em Fairbanks. O pessoal do restaurante onde ganhamos vouchers de $15 já devem me reconhecer de longe.

- verão maravilhoso aqui na região!

- vôo que era para sair de Seattle às 11h da manhã, nem saiu do solo porque o indicador de velocidade (airspeed indicator) estava com problemas. Desembarca todos os pax e vai para outro avião. Ainda bem que havia outro avião disponível.

- quebrei a jarra de vidro da cafeteira aqui em casa.

- muitas, mas muitas crianças nos vôos e eu a-do-ro distribuir os 'activity books' da Disney para eles e no final do vôo, também entrego airplane cards do avião Alaska com a turma do Mickey.

- parabéns a Alaska Airlines que recebeu o 1o lugar do JD Power Association como melhor empresa aérea em customer service dentre as empresas aéreas de carreira (Alaska Airlines ranks highest in customer satisfaction among traditional network carriers). Com este prêmio, todos os comissários e pilotos receberam 4 positive space travel tickets. Amei! O PST são tickets que a gente pode usar tendo lugar garantido em vôo. Os PST são reservados para ocasiões especiais, pelo menos no meu caso.

- não haverá involuntary furlough de comissários este ano. Receberam o número necessário de licenças e voluntary furloughs. Muita gente feliz. A notícia saiu ontem e eu também estou feliz pois consegui o meu 4 month voluntary furlough (set-dez). Trabalho até o final de agosto e só retorno dia 1/1/2010. Mas é claro que vou tentar conseguir folga no dia 1 de janeiro.

- vi o Mt. McKinley lindo - vou tentar postar foto mais tarde - da janela do avião. Céu azul, nenhuma nuvem, espetacular. E justamente nesse dia, tempo maravilhoso, tivemos dois pousos abortados em Sitka, AK por causa de nevoeiro.

- a comissária que me contou que o filho, um artista, a presenteou com uma pintura. No quadro, ela foi retratada, nua e com piercing nos mamilos. O filho disse que ela poderia colocar o quadro na sala mas ela debateu o assunto e achou melhor colocar no quarto de casal pois lá o sol não desbotará a pintura.

- já falei que o tempo aqui em Seattle está maravilhoso? Um verão ótimo aqui na região.

- no último sábado, um dos displays do cockpit estava com problemas e isso resultou em quase 4h de atraso. Durante todo esse tempo ficamos no avião, sem pax, é claro. Fiz minha manicure, tiramos fotos no bin do avião, foto em frente à turbina, trocamos figurinhas. Moral da história: o avião ficou parado em Fairbanks, com 3 mecânicos tentando resolver o problema e seguimos de extra para Anchorage, 6h depois. Vale acrescentar que o grande problema mesmo era uma vibração estranha da turbina.

- nesse mesmo dia aí, um passageiro, que estava no terminal, tirou foto da gente tirando foto na turbina. Se ele me enviar a foto, eu publico aqui. Deixa ele voltar do cruzeiro dele :-)

- meu último pernoite foi em Phoenix, AZ, onde chegamos às 21:30h e a temperatura era de 40C! Nem saí do quarto no dia seguinte.

Agora deixa eu terminar a minha taça de sparkling wine antes do cut-off de 10 horas antes de reportar ao trabalho.

Buh-bye!

sábado, 4 de abril de 2009

Só Bate-Voltas

Las Vegas: a apresentação para o vôo é sempre uma hora antes da decolagem, ou seja, 5h da manhã, quinta-feira passada. Primeiros passageiros embarcando e já vem uma mulher perguntando se a gente serve álcool no vôo. Ao descobrir que sim, há bebida alcoólica, ela solta um daqueles 'uhuuu, Vegas, I'm coming'. Give me a break.

Ah sim, e uma coisa muito estranha aconteceu no vôo da volta. Acabamos de terminar o segundo serviço e estávamos, três comissárias na galley traseira, arrumando tudo quando subitamente o avião 'passou num buraco' - é melhor descrição para o que aconteceu. Mas deixa eu salientar que era um buraco bem grandinho. E não era turbulência não, tanto é que o comandante ligou depois para nós dizendo que nem eles não sabiam o que foi aquilo. Bizarro.
Tirando a parte do susto, que foi grande - daqueles que todas se entreolham e já segurando am qualquer coisa; uma das comissárias se agarrou em mim - o evento foi coisa de 2 segundos.

Palm Springs: sexta-feira. Este vôo foi o meu primeiro em que a tripulação era 100% feminina: a comandante, co-pilota e 4 comissárias. Foi show de bola.
Só não foi show de bola a turbulência longa que tivemos tanto na chegada como saída de Palm Springs.
Mas a turbulência estava prevista e já fomos logo avisadas que chegando em 20mil pés, a comandante queria todas as 4 comissárias em seus assentos. E o 'bicho' balançou, cruzes! E eu ainda estava na galley traseira onde é pior ainda.
Um dos aviões que pousou alguns minutos na nossa frente, desistiu e seguiu para Ontario. Não queria nem saber de pousar em Palm Springs.
E falando depois com a comandante, ela até fez pouco caso, dizendo que já teve situações de turbulência piores.
Depois que pousamos, todo mundo aplaudiu e assobiou quando receberam o 'Welcome to Palm Springs!', e claro que deixamos bem claro que foi uma mulher que pousou aquele 737.

sexta-feira, 27 de março de 2009

37 minis depois...

Seattle-Las Vegas, quinta-feira, 1:49h de vôo

16 pax na primeira classe e isso aqui foi o que o povo bebeu:


Minis de Bacardi, Vodka, Jack Daniels, Tequila, Gin, Crown Royal.

Eu não parei um minuto sequer durante a viagem. Busy, busy, busy.

PS. Esqueci de comentar que levei um banho de água tônica.
Estava preparando os 'Gin & Tonic' drinks e quando peguei uma das latas, ainda fechada, da gaveta, ela escorregou da minha mão e caiu no chão. Fui pegar a lata e logo em seguida abri: foi um espicho de água tônica pra tudo que é lado, inclusive encima de mim!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Ups and Downs

Um dia, como o de ontem - anc-bet-fai-brw-fai - não é o meu preferido.
Eram vôos de no máximo uma hora, serviço corre-corre, e para piorar, nos dois primeiros pousos acho que minha pressão estava baixa e não foi nada agradável para mim. O fato de eu não ter tomado café da manhã, também colaborou para o mal estar.
Felizmente, depois de comer, o resto do dia foi bem melhor.

Isso me lembra que, na época da TransBrasil quando eu fazia a ponte aérea Rio-São Paulo, eram 6 (SEIS) pousos e decolagens diariamente. E era serviço de refeição quente, bandeja para todos os passageiros e bebida de graça.

A tripulação de ontem era ótima e isso ajudou para o dia ser menos pior.
Quanto aos pax (passageiros), foi tudo tranqüilo também. Conversei com algumas pessoas que ficaram 'presas' no aeroporto em Anchorage por dois dias, por causa do vulcão. Felizmente não tivemos nenhum atraso ou cancelamento ontem por causa de novas erupções.

E parece que hoje, volto para casa: fairbanks-anchorage-seattle.
Isso se não mudarem a escala a hora que eu chegar em Anchorage.

terça-feira, 24 de março de 2009

Lunch

Ai que bom, tempo de solo e vou comer minhas batatas!

sábado, 7 de março de 2009

Tempo de Solo em ANC

Como foi bom ter 13h de pernoite em Fairbanks ao invés de apenas 10h em Anchorage. Dormi feito uma pedra e de manhã, quando acordei, estava passando calor. Detalhe: ar quente estava desligado apesar da temperatura abaixo de 0C lá fora.
Melhor ainda, para começar o dia, iríamos de extra de FAI até ANC.

Durante o tempo de solo em Anchorage - estava um tempo lindo por lá -, almocei e fiquei num lugar 'secreto' do aeroporto, observando o vai e vem dos aviões na pista.

Voltando para Seattle, mais um vôo lotado até as orelhas, com duas comissárias extras nos jumpseats. Isso torna o trabalho na galley traseira uma arte pois tem comissários demais e o trabalho fica complicado. Some a isso, passageiros fazendo fila para ir ao banheiro e alguns deles até ficando na nossa área de trabalho.

Mas sobrevivemos e agora é hora de aproveitar o descanso, aqui em casa, curtindo a neve que está caindo.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Fairbanks

A escala mudou a nossa viagem e acabamos ficando em Fairbanks.

Deixa eu primeiro contar que um dos comissários desse vôo, e que continuará amanhã conosco, é o Siegfried. Sentiu o nome? Ele é alemão e está nos EUA desde 1983. Eu adorei ele pois é uma daquelas pessoas de bem com a vida, trabalha pra caramba, não fica reclamando, deixa os passageiros felizes. O Siegfried é bem alto e durante o embarque e desembarque, ele ajuda as pessoas com as malas colocando-as ou tirando do bin.
O 'dankeschön' e 'bitteschön' era padrão pra gente, e além disso ele ficava me chamando de 'fräulein'. E quando ele perguntou se nós, comissárias, queríamos alguma comida da primeira classe, que estava sobrando, eu disse que não queria pois já havia comido a minha 'Kartoffel' (batata em alemão). E era verdade, o lanche para comissários era uma batata, inteira, que leva uns 45 minutos para ficar pronta.

Quando estávamos começando o pouso em Fairbanks, os pilotos nos avisaram que era para um dos comissários ligar para a escala assim que desembarcássemos.

A escala original era pegar um vôo de Fairbanks e ir de extra até Anchorage, onde seria o nosso pernoite. A - boa - notícia era para, ficarmos em Fairbanks, e amanhã, ir de extra até Anchorage, e trabalhar somente de lá até Seattle. Gostei da alteração.

Fairbanks não estava tão frio como eu imaginava e confirmei isso quando vi o agente do vôo somente com uma camisa de manga curta, bermuda e tênis. Ele comentou que estava quente em Fairbanks. Tudo bem, o pessoal que mora aqui está acostumado com temperaturas bem extremas.
Mas havia MUITA neve no chão e por todo lugar. Quando estávamos taxiando até o gate, o avião balançava, passando por cima de neve e gelo na pista. O único lugar onde não havia neve, era na pista de pouso, onde os caminhões ficavam limpando a toda hora.

Bem, agora vou começar a me arrumar pois daqui a pouco é a apresentação.
Fiz um café aqui no quarto e ficou horrível, blargh.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Stellar

Ainda sobre Mazatlan - 17/fev.
Na verdade, é o vôo Los Angeles-Seattle, última perna do dia.

Começamos o embarque. Eu era a mais nova da tripulação.
Estava na minha área de embarque, recebendo os passageiros, ajudando o pessoal a achar seus assentos – sim, ainda tem gente que não se acha -, quando eu me viro, vejo uma supervisora de Seattle, na minha frente.
Tentei disfarçar o meu susto e cara de ‘oh sh*t’ com um sorriso e um ‘so nice to see you!’

Sabe aquela personagem Miranda, do “Diabo Veste Prada”, que a Meryl Streep atuou? Pois é, no dia que essa supervisora veio na nossa sala durante o treinamento e fez o pequeno discurso dela, ela me lembrou a Miranda. Mas esta foi somente a primeira impressão e depois vi que ela é gente boa. Só que a primeira impressão, é a que fica, e querendo ou não, ela avalia a gente e é bom você estar nos trinques.


Ela seguiu até o seu assento e eu estava só observando, torcendo para ela não ir nas janelas de emergência.
Como eu era a ‘B’ do vôo, eu era a responsável pelo briefing daquelas fileiras. Claro que ela tinha o assento na janela de emergência.

Embarque finalizado, nós 4 comissários fomos todos até a galley dianteira e todos: “Mas que m* que a gente vai ter uma supervisora a bordo!” Foi muito engraçado, mas acho que foi mais engraçado somente para mim porque os 3 estavam uma pilha de nervos.
E eles estavam assim, pelos seguintes motivos:
- chefe de equipe com a camisa branca manchada, de um chocolate que ele esqueceu e derreteu dentro do bolso
- comissários C e D, estavam conversando e fora de suas posições de embarque
- chefe de equipe com um sapato ‘sandália’ e não sapato fechado

Durante o serviço, foi aquele stress e eles falando "vamos demorar o máximo possível para a supervisora não ter tempo de vir aqui na galley, após o serviço, e conversar conosco."
Claro que esta tática não deu certo.

A supervisora veio na galley traseira e disse que, como eu nunca havia recebido uma check ride depois do período probatório, esta seria a minha primeira vez.
Não doeu nada.
Ela só te olha de cima pra baixo e apenas falou: "You look stellar!" Conversamos um pouco e disse que eu estava trabalhando muito bem e ainda por cima disse para eu ensinar algumas coisas para os meus colegas de vôo.

Bem, se para os meus outros colegas ter a supervisora a bordo foi péssimo, para mim, foi bem o contrário.
Mas eu sei que um dia, depois de anos voando, também não vou estar muito aí para aparência ou serviço de bordo, e vou ser comparada ao pessoal novo na empresa.

Agora deixa eu ir lá e desinflar um pouco o meu ego.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

The Best Shuttle Ride, Ever

Mal entramos na van que nos levaria ao hotel em Mazatlan, e o chefe de equipe tira a garrafa com o mix de margarita e tequila que ele comprou em Los Angeles, no nosso tempo de solo. O gelo ele levou do avião.
Éramos 4. Para o piloto e co-piloto era somente um bate volta LAX-MZT-LAX.
Assim começou a nossa longa viagem - 45 minutos! - até o hotel.

O chefe de equipe, tinha muita história para contar mas a mais interessante foi de quando ele supostamente pescou da asa do avião, em Juneau. Na verdade ele não pescou nada, ele somente foi lá porque outra comissária, que estava tomando banho de sol sobre a asa, sabia que ele estava trazendo o equipamento de pesca, e achou que ficaria engraçado tirar uma foto de alguém pescando, sentado na asa do avião.
A parte não tão engraçada, é que ele foi demitido depois dessa história. Como ele voltou a voar depois, eu não sei.

Chegamos no hotel, fizemos o check-in. Misture cansaço + duas margaritas + calor = capotar na cama.
Combinamos de nos encontrar para jantar mais tarde. Eu só acordei porque coloquei o despertador, caso contrário, teria dormido direto até a manhã seguinte.

Comemos uns tacos num desses botequins de rua e estava uma delícia. Lembro que o nome do lugar era Tropos. Barato e delicioso. Voltarei para lá numa próxima vez. Depois dessa comilança, eu só queria saber de dormir, dormir, dormir. E foi o que eu fiz.

Acordei na manhã seguinte, - com despertador, é claro - , e a vista da sacada foi o que me motivou a deixar a preguiça de lado e deixar o quarto.
Depois do café da manhã no Panamá caminhei por quase 2 horas à beira da praia. Não prestei muita atenção na distância que eu havia andado e por isso a volta foi dureza, e de sobra levei um sapecão.

sábado, 10 de maio de 2008

Style in the Aisle

Extraído da revista:

"To get a job as hostess with US Airlines a girl has to meet some tough specifications. She must be young (21-26), unmarried, pretty, correctly shaped and the right height (5ft. 2in.-5ft.8in.). She must have the equivalent of a year of college or nurses' training, even teeth, a nice smile."

Coisa de outra era mesmo.










segunda-feira, 28 de abril de 2008

Trabalhando de jeans e camiseta

Um post à parte sobre a 'surpresa' na volta para Seattle.

45 minutos antes do vôo San Diego-Seattle, meu celular toca e era crew scheduling (escala). WHAAAAAT ? Eu tinha certeza que era meu dia de folga, por que eles estão ligando para mim? Fiquei na dúvida se atendia ou não. Não precisamos atender o telefone se eles nos ligam em dia de folga, mas se eles conseguem falar conosco, somos obrigados a cumprir o que eles solicitam.

A curiosidade foi grande e atendi a ligação. Resumindo a história, uma das comissárias que estava vindo de Seattle até San Diego, teve que desembarcar em San Diego porque teve problemas com o ouvido e se não achassem alguém para substituí-la o vôo para Seattle seria atrasado ou até mesmo cancelado. O paramédico que atendeu a comissária em solo, pediu para ela não voar mais naquela noite para não piorar o já agravado estado do ouvido dela.

E como é que a escala me achou? Eles checaram a lista de passageiros para ver se algum(a) comissário(a) estava de extra no vôo e lá estava o meu código de extra e número de funcionária da empresa.

O problema era que eu não tinha o manual de comissário, item obrigatório para trabalhar um vôo. E o outro detalhe, menos importante naquela situação: eu estava de jeans, camiseta e tênis e nenhuma das outras comissárias tinha uniforme extra para me emprestar. E mesmo que tivessem uniforme, não teriam o meu tamanho. A escala me falou que voar com roupa informal naquela situação não seria problema e a falta de manual também não, contanto que as outras duas comissárias tivessem os manuais dela. Pronto, resolvido.

O bom é que o vôo estava praticamente vazio: 5 pax na primeira classe e 35 na cabine econômica. Trabalhei na econômica e a chefe de equipe explicou o motivo de uma das comissárias - eu - não estar com o uniforme da empresa. Os passageiros aplaudiram :-)

Um dos meus pesadelos sempre foi chegar no trabalho com roupas informais, por algum motivo esquecer o uniforme. Bem, agora eu sei como é, e é MUITO estranho.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Drug Testing

O dia de hoje:

San Jose-Seattle-Reno-Seattle. Fora os cachaceiros de plantão, tudo tranqüilo. Não que eles deram trabalho, muito pelo contrário... Ainda não entra na minha cabeça como tem gente que gasta $20 para beber umas miniaturas num vôo de 90 minutos.

E para terminar, quando finalmente encerramos essa jornada de quase 4 dias, eu e uma outra comissária fomos solicitadas para fazer o drug testing. Ao contrário da outra comissária, que foi ao banheiro antes do pouso, eu geralmente espero para ir no banheiro do aeroporto. Foi minha sorte.

Somos acompanhadas por um funcionário da empresa até o local do exame. É rápido. Deixamos nosso xixizinho e pronto. Só que a outra comissária não conseguia ir ao banheiro. Ela tomou um litrão de água e ficou esperando a vontade aparecer. E enquanto isso, eu já estava indo para casa, curtir o meu final de semana livre.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Primeiro de Abril

Se liga! Amanhã é primeiro de abril.

Topei com uma tirada legal para fazer durante o vôo, em comemoração à data:
When a passenger comes up and asks if the lav is occupied, lift the lav latch, pretend to peer inside, and tell the passenger, "Yes, but they're almost done."

A partir de amanhã, 4 dias de reserva e cá estou, me sentindo 80%. Acho que um resfriado vai me pegar de jeito de novo. Mas desta vez tem que me derrubar pra valer, que nem da outra vez, para solicitar dispensa médica.

Ah, e nevou aqui de novo.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Bethel, AK

Segunda parte:
Anchorage-Bethel-Anchorage

Na quinta-feira, no meu airport standby, outra comissária, a Tina, também estava. Fomos acionadas juntas para esse mesmo vôo de 3 dias e ela era a chefe de equipe. Em cada vôo tínhamos uma tripulação diferente.

Durante o embarque em Anchorage, no vôo para Bethel, o comandante chega pra mim e diz que não éramos para atender as chamadas do cockpit durante o vôo - a não ser que fosse emergência - pois ele e o co-piloto, iriam dar trabalho para a Tina, a pedido de uma amiga dela.

E foi o que eles fizeram: durante o embarque pediram bebida, reclamaram que o café estava morno, queriam mais açúcar, queriam ver a refeição deles e era para trocar a fruta dessa bandeja para a outra, um deles pediu Coca-Cola com gelo e limão espremido, etc. Tudo coisas que eles nunca pedem, ou reclamam. Vez ou outra eu ia lá para frente para espiar. A Tina, coitada, correndo de um lado pro outro e cochichou para mim: "Let me tell you: these boys are high maintenance." (Deixa eu te contar, esses caras dão o maior trabalho). Olhei pro comandante e vi ele, rindo que se acabava.

Fechamos as portas, decolamos, chegamos a 10 mil pés, a Tina fez o anúncio dela, e logo depois, os pilotos começaram com as chamadas pelo interfone. E aquela chamada tocou diversas vezes. Era ding-ding, ding-ding, direto. Ainda bem que o vôo era somente de 41 minutos. Depois de pouso em Bethel, o comandante saiu e falou para a Tina que eles eram gente boa e estavam infernizando a vida dela, a pedido da amiga dela. A resposta da Tina: "What a bitch!"

Voltando ao embarque, ainda em Anchorage, 96 passageiros e a maioria era... esquimó? Será? Não sei se tem esquimós em Bethel, mas para mim, pareciam esquimós. Havia dois bebês a bordo e eram uma fofura: empacotados e rechonchudos, muito fofos.

Tirei uma foto, numa rápida saída do avião em Bethel. Foi rápida mesmo. Depois descobri porque eu senti tanto frio: estava -18C! E ainda tinha um vento, minhas orelhas pareciam que iriam quebrar. O tempo estava lindo, tudo branco, coberto de novo. Não sei como tem gente que aguenta viver num lugar tão remoto.

Voltamos para Anchorage, e fui avisada para ligar para a escala. Estenderam a minha viagem de 3 dias para 4. Como eu estou de reserva até segunda-feira, já imaginei que seria isso mesmo. Ao invés de voltar para Seattle no sábado, voltarei somente no domingo - isso se não estenderem novamente - e tenho mais um pernoite em Anchorage, amanhã à noite (sábado).

quarta-feira, 5 de março de 2008

"No Show"?

Dá para acreditar nisso? Eu dei um 'no show'? (falta, não apareceu).

A manhã começou com um bate-volta San Diego. Tudo tranqüilo, tudo lotado, ida e volta.
Na ida, dois FAMs (Federal Air Marshals) a bordo. Sempre em pares, mas fazem de conta que não se conhecem. Um embarca logo no início e o outro é um dos últimos a entrar no avião.

Pousamos em Seattle, os pilotos saíram, a outra tripulação entrou, a gente saiu, fui checar meu e-mail da empresa (obrigatório) para ver se tinha alguma mensagem da escala. Se não tiver nada, estou liberada.
Já aconteceu de eu achar que o dia de trabalho acabou mas daí vem os pilotos avisando que receberam uma mensagem (acars) avisando para ligar para a escala assim que desembarcarmos.

Bem, não tinha nada... e fui pro ônibus, estacionamento, carro, casa. Tirei o celular da bolsa para carregar e tinha uma mensagem da escala: "Por favor ligue para nós pois o seu período de trabalho ainda não acabou. Enviamos um 'acars' para a aeronave de vocês e estamos aguardando retorno."

Pensei comigo: "Agora ferrou!" Liguei para eles e disseram que aquela altura já é considerado 'no show' e amanhã tenho que entrar em contato com uma supervisora.

Ninguém me avisou nada durante o vôo.
Falei com minha reserve buddy e ela disse que provavelmente os pilotos deram uma bola fora. E eu estava trabalhando de A, lá na frente, o tempo todo. Em nenhum momento eles comentaram sobre ligar para a escala.

Vamos ver o que acontece amanhã. Espero não ter dado nenhuma mancada. Vai saber?
Estou tranqüila... quero acreditar que estou tranqüila.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Combi

A volta para Seattle, foi num 737-400 Combi: metade do avião para carga e metade passageiros.
São 3 comissárias que voam nessa aeronave: uma na frente, responsável pelas duas portas dianteiras e duas ficam atrás, com os passageiros. Não há acesso entre a parte dianteira e traseira da aeronave. Quer dizer, tem sim, mas somos proibidos de usar.
A comissária que fica na frente, basicamente não faz nada, a não ser abrir e fechar as portas e levar comida até os pilotos.

Eu estava trabalhando atrás e foi a primeira vez que entrei nesse avião. Justamente na primeira perna (Anchorage-Juneau) entrou um inspetor do FAA - Federal Aviation Administration, e ele basicamente fica de olho em tudo que fazemos. Ele pediu os documentos e o manual da chefe de equipe. Eu tremi que nem uma vara verde na hora de fazer a demonstração de emergência. A chefe de equipe também estava nervosa. Felizmente o inspetor saiu em Juneau e voamos mais tranqüilas nas pernas seguintes.

Duas pernas eram tão curtinhas, que eu sequer levantei do meu assento.






















Fotos do website da Alaska

domingo, 10 de fevereiro de 2008

You know you are a F/A

Adoro meu trabalho, estou muito feliz:-)

Topei com isso num forum de comissários(as). Achei ótimo... e verdadeiro.

You know you're a flight attendandt if:
· You never unpack
· You don't ever write a full city name (and it bugs your non-aviation friends); SFO, YVR, MCO, JNU
· You HATE boarding
· You LOVE deplaning
· You hate running into your passengers at your layover hotel
· You want no passengers talking to you while you are non-revving
· You cruise the aircraft after all passengers have deplaned to find discarded magazines before the cleaners get them
· … and you know what’s on the cover of the current issues of OK, US, Star, People magazines
· All of your pens have different hotel names on it
· You own two sets of uniforms: fat and thin
· You always point with two fingers
· You are glad there are no hidden cameras in the galley
· You wake up and have to look at the hotel stationery to figure out where you are
· Your jumpseat partner knows more about you than your spouse or life partner. It's what we call: jumpseat therapy.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Bidding

É aquela época do mês: bidding!
Do dia 10 ao dia 15, todo mês, é quando a gente entra com os nossos lances (?) para as linhas do próximo mês.
São 1107 linhas e a gente pode ordenar, por preferência, a linha que você quer.

As primeiras 1079 linhas são escalas regulares, com vôos programados e dias de folga.
As linhas 1080 até 1107 são as linhas de reserva, onde somente constam os dias de folga e o restante é ou AM Reserve (1080-1093) ou PM Reserve (1094-1107).

Como eu estou lá no fim da senioridade, nem perco tempo, coloco de cara, como preferência: 1-1079. Ou seja, qualquer linha que não seja reserva, eu aceito.
Depois disso, olho cada linha e daí vou lançando: 1-1079, 1085, 1092, 1084, até passar por cada uma das linhas de reserva.
É muito importante fazer o bidding. Se você esquecer, você fica com o que ninguém quer.

Dia 16 ou 17 ficamos sabendo dos resultados e então temos a nossa escala para o mês seguinte.

A média de tempo que o pessoal fica em reserva, na base Seattle, é de 4 a 5 anos.